O silêncio da madrugada aumenta as vozes confusas do meu pensamento.
Penso eu e penso... Ainda penso... Enquanto as horas passam.
Horas desperdiçadas, que podiam complementar com mais trabalho.
Trabalho árduo... Daqueles que dignifica o homem
Mutila a criatividade e mata a alma.
Mas o meu pensar é um pensar no nada, no vazio.
E o pouco do ar que chega se recusa a entrar por minhas narinas.
Ao longe ouço o som dos ratos na dispensa semi cheia.
Mas recuso levantar-me contra eles.
Penso pra que serve?
Como sentir fome se ainda sinto as dores dos meus antepassados escravizados.
Vejo todo o sangue que foi derramado.
Desejo agarrar um só pensamento e me fixar nele... Mas me falta o ar.
Então retomo o pensamento anterior...
Sinto que ainda somos os mesmos.
E nesse instante desejo o dia,
Ouvir os pássaros me tirar de dento de mim.
Ver nitidamente os Ipês amarelos a clarear e alegrar as ruas.
Só não quero ver pessoas apressadas e ônibus lotados.
Tais imagens me remetem às lembranças adormecidas de um tempo distante.
Eu vejo as sombras de um navio negreiro.
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